Já reparou como, de repente, sem nenhum aviso prévio, as circunstâncias nas quais estamos emoldurados teimam em se modificar? Para cada ser humano que habita essa terra, imprevisibilidades de todos os tipos acontecem diariamente. Se apresentam das mais variadas formas.

Como num passe de mágica, em um dia comum, que prometia ser exatamente igual a tantos outros, você acorda, toma seu banho, enfrenta aquele transporte lotado e um trânsito capaz de enlouquecer qualquer pobre mortal e, quando chega ao trabalho, sem nenhum aviso prévio, descobre que a política da empresa está prestes a mudar e que você não se encaixa mais no perfil dela.

Aquele grupo de amigos com quem você se diverte, compartilha segredos e divide suas mais profundas questões, do nada, parece esquecer da sua existência. Os convites para os encontros vão, gradativamente, diminuindo até que você se dá conta de que seus pensamentos mudaram, suas ideias já não são as mesmas e aquilo que vocês comungavam deixou de fazer sentido. 

Um "belo" dia, a pessoa que você ama e com quem divide a vida, decide seguir por outros caminhos, nos quais as suas pegadas já não serão bem-vindas. E é ali que você descobre que a vida precisa continuar, ainda que com pequenos e dolorosos ajustes. Afinal, como já dizia Maria Rita:

"Não há no mundo lei que possa condenar alguém que a um outro alguém deixou de amar".

Mas a questão é: será mesmo que, quando coisas assim acontecem e nós as julgamos repentinas, de fato elas realmente nasceram de um instante para o outro? 

Acredito que não.

Tudo na vida humana começa no plano das ideias. Talvez o problema nunca tenha sido a mudança em si e sim os caminhos que já conhecemos e nos fazem sentir que ali estamos realmente protegidos e seguros.

O conhecido é incrivelmente confortável.

É desafiador abandonar aquilo que sempre acreditamos que nos cobria tão bem.

Depois daquele momento em que tudo na vida parece sucumbir, talvez nos seja essencial um absoluto vazio mental, acompanhado de uma pequena pitada de entrega.

Confiemos na vida.

Quem sabe ela não esteja apenas esperando que abandonemos o nosso santo controle para nos oferecer uma bendita oportunidade de renascer...

...e florescer.